segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Vale cria modelo sustentável para a Amazônia





Em uma feira agropecuária nos rincões do Pará, fazendeiros olham desconfiados para técnicos que os abordam propondo uma forma inteligente e sustentável e conviver e gerar riqueza na floresta. Habituados com décadas de predação, de destruição das matas e depois da própria terra, com a criação improdutiva de gado, eles acham que fazer o certo dá prejuízo. Mas os técnicos da Vale Florestar não desistem e os primeiros resultados começam a aparecer. Em uma imensa área de 300 mil hectares degradados (para a Amazônia ainda é pouco, mas é um começo), 50 mil já estão em franco processo de recuperação, 60% deles com mata nativa e o restante com paricá, eucalipto e pinus, entre outras espécies de uso comercial. Até 2015, os 300 mil deverá estar recuperados, um investimento de US$ 300 milhões da Vale, cujo principal retorno é mudança da mentalidade predatória de ocupação da Amazônia e a fixação do homem no campo, mas com todos os direitos legais, incluindo carteira assinada.
"O projeto foi concebido em 2005 e implantado em 2007 no Pará e no Maranhão, porque a Vale tem o compromisso de dar sustentabilidade às ações na região que opera", informa o diretor de relações institucionais e de sustentabilidade para a América do Sul e Central da Vale, Guilherme Escalhão. "Os fazendeiros que aderem ao projeto mantêm suas terras, que são regularizadas, inclusive com licenciamento ambiental. A exigência é que todas as normas de sustentabilidade sejam seguidas, como os direitos dos trabalhadores e toda a preocupação com a preservação do meio ambiente. Nos 50 mil hectares iniciais já são 1.250 funcionários registrados e o número deve em breve saltar para 4 mil. Há funcionários com mais de 40 anos de idade que estão recebendo o primeiro registro em carteira de trabalho."
A região chamada de arco do desmatamento tem apenas 27% de sua mata ciliar e o projeto prevê a recuperação de 100%. As áreas de preservação permanente deverão ocupar 180 mil hectares. Um viveiro com capacidade para 28 milhões de mudas anuais começa a funcionar em 2009 e vai fornecer não só para as reservas que fazem parte do projeto. A Vale não atua com mineração na área escolhida para as operações da Florestar. "É região de grandes proprietários, com seis fazendas em média, que enfrentaram o ciclo exploração de madeira, pecuária, degradação, hoje com baixíssima produtividade, o que é insustentável", diz Escalhão. Aos poucos, eles vão entendendo que o modelo que praticam, muitas vezes herdados dos pais, é absolutamente insustentável.
Agora, a Vale assinou acordo com a Suzano Papel e Celulose que compreendendo o fornecimento de madeira de reflorestamento pela Vale, a venda de parte de seus ativos florestais e o transporte ferroviário da celulose produzida pela nova fábrica da Suzano, a ser implantada no Maranhão. Parte da madeira sairá do projeto de parceria com os fazendeiros do Pará. O programa Vale Florestar vai garantir matéria-prima pelos próximos 20 anos, renováveis. O empreendimento promoverá o desenvolvimento socioeconômico dos dois Estados.

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