Aos poucos a arquitetura com traços de país tropical vai ganhando força no Brasil. As grandes edificações, como a de shoppings, já estão sendo projetadas ou reformadas para aproveitar ao máximo a luz do sol. Até meados da década de 90, o principal objetivo na hora de projetar shoppings era estimular o consumo. Pesquisas norte-americanas indicavam que malls (corredores) baixos, com pisos escuros, cansavam a vista e atraíam o olhar do consumidor para lojas com vitrines bem iluminadas. Só que esse modelo favoreceu a construção de shoppings com pouca iluminação natural, concreto por todos os lados e uma grande necessidade de ar-condicionado.
Esse é o caso do Maxi Shopping, localizado em Jundiaí, a 60 km de São Paulo. Da inauguração do empreendimento em 1989, copiado 99% de shoppings dos Estados Unidos, à 2002, quando foi ampliado, quanta mudança! A luz natural ganhou destaque nos corredores das novas alas. No lugar do teto de concreto uma grande cobertura de vidro para favorecer a entrada da luz solar. Os pisos claros e brilhantes espalham a luz pelo ambiente. A iluminação direcionada, presente apenas em locais onde a luz natural não reflete diretamente, deixa o ambiente com ar sofisticado. Com o novo modelo arquitetônico os empreendedores comemoram a queda no consumo de energia elétrica. As novas instalações consomem cerca de 25% menos energia se comparada à área antiga.
A eficiência na redução é tanta que a direção do Maxi Shopping se prepara para reformar toda a infraestrutura antiga do estabelecimento a partir de 2005. Hoje, a conta de energia elétrica da área comum do Maxi Shopping varia em torno de 125 mil reais por mês. Após o término da reforma, espera-se reduzir em 40% este valor.
Mas ainda há um grande vilão no gasto da energia: o ar condicionado. As cores claras dos pisos e as lâmpadas direcionadas em grande parte do shopping colaboram para aquecer menos o ambiente, mas não são suficientes para garantir a baixa temperatura.
Para a redução da conta de energia há uma saída, mas para a redução do consumo, não. Um método de congelamento de água permite abastecer o ar-condicionado em horários em que a energia é mais cara, mesmo o sistema de resfriamento estando desligado. Três reservatórios de alumínio armazenam água e a congelam no períoro entre 22h e 09h, horário em que a energia é mais barata. O gelo formado vai abastecer o sistema de ar-condicionado das 17h30 às 20h30 quando o fluxo de pessoas no shopping é maior e a energia, mais cara.
Se para uns, poupar energia foi resultado do gosto amargo das altas contas de luz, para outros, foi o alvo principal na hora de projetar. Assim foi planejado cada ambiente do Shopping Parque Dom Pedro, em Campinas (100 km de São Paulo), onde o critério de aproveitar a iluminação natural foi utilizado em todo o shopping. Dos 189.000 m2 de área construída, 17.000 m² dispensam o uso de energia elétrica durante o dia, sendo 12.000 m2 nos corredores e 5.000 m2 na Praça de Alimentação. As áreas que necessitam de energia artificial também são beneficiadas com a luz natural que reflete por meio de “vãos” cobertos por vidros, medida que economiza cerca de 45.000 watts por mês, segundo estimativas da Sonae, grupo empresarial que projetou o empreendimento.
Iniciativas como essa fazem parte do Programa de Gestão Ambiental do Parque Dom Pedro, que rendeu à instituição o prêmio 'Excelência em Gestão', oferecido pela Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), em 2003.

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