quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Brasil será 7º consumidor de energia em 2030



O estudo "Brasil Sustentável - Desafios do Mercado de Energia", produção conjunta da Ernst & Young Brasil e da FGV Projetos, indica que o Brasil será o sétimo maior mercado consumidor de energia em 2030, com o consumo de 468,7 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (tep). Em 2007, o País ocupava a 11ª posição, com a oferta primária de energia de 223,2 milhões de tep. A pesquisa aponta ainda que para atender o crescimento da demanda brasileira de energia, estimada em 3,3% ao ano nas próximas duas décadas, serão necessários investimentos da ordem de US$ 750 bilhões. A China será o maior consumidor mundial de energia, com a oferta primária de 5.347,9 milhões de tep em 2030. Os Estados Unidos, principal consumidor de energia da atualidade, passarão à segunda posição mundial (3.462,7 milhões de tep). A Rússia manterá sua condição de grande player mundial e ocupará a terceira posição no ranking de consumo, com 1.007,5 milhões de tep, seguido pela Índia que consumirá 1004 milhões de tep em 2030. O Japão ocupará a quinta posição (585,7 milhões de tep) e o Canadá (495 milhões de tep), a sexta. A pesquisa, realizada com base no histórico de indicadores econômicos dos últimos 57 anos de 100 países, é a terceira de uma série de cinco relatórios com projeções sobre o comportamento nas próximas duas décadas de cinco setores estratégicos da economia (além do mercado imobiliário, varejo e energia, a série prevê ainda análises sobre a agroindústria e a competitividade industrial). "Analisar o desempenho do setor é crucial para visualizar as oportunidades e os obstáculos que se apresentarão nas próximas décadas. As projeções e cenários apontados no estudo são importantes para o planejamento das empresas, do governo e para entender as transformações pelas quais passará a demanda de energia no Brasil e no mundo", afirma José Carlos Pinto, sócio da Ernst & Young. O crescimento da demanda mundial de energia é estimado pelo estudo em 2,6% ao ano. Os países que mais demandarão o insumo são os que terão as maiores taxas de crescimento econômico, como a China, com um aumento de 4,9% ao ano, e a Índia, com 3,8%. Na avaliação do coordenador da FGV Projetos, Fernando Garcia, o desafio nas próximas duas décadas será atender ao substancial crescimento da demanda energética diante da disponibilidade limitada de recursos. "O estudo estima que serão necessários investimentos superiores a US$ 20 trilhões para acompanhar o consumo mundial", diz. - MERCADO BRASILEIRO DE ENERGIA O estudo mostra que o Brasil ganhará destaque não apenas como consumidor, mas como grande fornecedor de energia, seja de recursos tradicionais, com a viabilização econômica das jazidas petrolíferas do pré-sal, seja por meio da crescente importância da produção dos chamados biocombustíveis. Para sustentar o crescimento médio anual do PIB nacional de 4% ao ano, prevê-se um crescimento anual de 5,1% no consumo de energia dos setores industrial, comercial e de serviços. A distribuição de energia elétrica passará por mudanças ligadas a novos padrões habitacionais. Com o aumento do número de moradias e também de eletrodomésticos, o consumo residencial crescerá a uma taxa de 3,9% ao ano. A expansão da economia baseada na recuperação dos investimentos fará também com que a demanda por produtos intensivos em energia, como aço e cimento, cresça a taxas de quase 5% ao ano, pressionando o consumo nesses setores. O consumo de energia elétrica será de 1.073 TWh em 2030, um crescimento de 4,4% ao ano de 2007 a 2030. O petróleo continuará sendo a principal fonte na matriz energética do Brasil daqui a 22 anos. O volume previsto de investimentos até 2030 é de US$ 350 bilhões no setor de petróleo e de US$ 90 bilhões no setor de gás natural. O consumo de petróleo, derivados e gás natural deverá atingir 2,9 milhões de barris por dia, uma evolução de 2,5% ao ano entre 2007 e 2030. A ampliação da oferta de biocombustíveis diminuirá o consumo de gasolina, o que resultará em um fluxo de exportação deste combustível em razão de seu preço no mercado internacional. Esse cenário prevê ainda uma acentuada elevação da participação do etanol no mix de combustíveis automotivos brasileiro, chegando a 45% em 2030. O estudo mostra que a evolução desfavorável dos preços da energia fomentará a implantação de medidas de economia e racionalização. Estima-se que, no Brasil, os grandes consumidores de energia terão ganhos de eficiência da ordem de 0,7% ao ano entre 2007 e 2030, valor próximo ao padrão esperado para a economia norte-americana (0,8% ao ano). A pesquisa aponta ainda que, no balanço final da energia, haverá aumento de excedentes da produção brasileira em relação à demanda doméstica, que passarão de 57,6 milhões de tep, em 2007, para 143,2 milhões de tep, em 2030. Haverá uma produção de biocombustíveis acima da expansão da demanda (3,9% ao ano contra 3,6% ao ano respectivamente), o que se justifica pelas oportunidades internacionais especialmente nos Estados Unidos, na Europa e no Japão. Além disso, acordos bilaterais de redução de tarifas de importação, firmados até 2030, devem permitir a ampliação da compra dos excedentes da produção brasileira. Atualmente, a proteção comercial no mercado de etanol ainda limita as oportunidades do Brasil na União Européia e nos Estados Unidos. Outra tendência importante é a diminuição da dependência da hidreletricidade e do gás natural da Bolívia, com a ampliação mais acentuada da geração térmica e da importação de gás natural liqüefeito.

Fonte:
Procel Info - Redação Terra

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