segunda-feira, 22 de junho de 2009

Adeptos garantem: a urina cura


Urina [Do lat. Urina] S. f. Líquido excrementício segregado pelos rins, donde corre para os ureteres para a bexiga. [Sin. (pop. e fam.): pipi, pixi, xixi]. *

Bem, excrementício não é a opinião de todos. Enquanto para muita gente a urina lembra sujeira e mau cheiro, para outros é alimento riquíssimo e grande aliado na cura e prevenção de doenças de todos os tipos: cardio-vasculares, respiratórias, gastro-intestinais, cutâneas e até câncer.

Natal tem muitos adeptos da urinoterapia - a prática de usar a urina em seu estado natural para cura e prevenção. Aliás, o mundo inteiro. A literatura estende-se desde livros e artigos a milhares de páginas, comunidades e fóruns que discutem o assunto na internet. A urinoterapia também já foi várias vezes assunto de programas jornalísticos de televisão.

Ela está mais presente que podemos imaginar. Quem nunca ouviu falar que o melhor remédio para comichão por urtiga ou água-viva é fazer xixi sobre o local afetado? Isso também é urinoterapia.

A prática é milenar, tem cerca de 5.000 anos, remetendo ao tempo da antiga Grécia, quando médicos já curavam feridas, mordidas de cães, picadas de cobra, doenças de pele, infecções oculares, queimaduras e cicatrizes. Na Roma antiga se lavavam tecidos com a urina, pois é um bom adstringente. Para os Druidas Celtas, ela tinha uma conotação mágica. Índios e tribos africanas usam a substância para proteger-se de mosquitos e demais insetos.

Hoje em dia é amplamente usada na indústria de cosméticos, pois a uréia está presente nos principais produtos de rejuvenescimento. É mito conhecida pelos Hindus e a Ayurveda, considerada muitas vezes como “a mãe de todas as medicinas”. Há artigos que falam de um documento de cinco mil anos encontrado na Índia, chamado Shivambu Kalpa Vidhi (o método de beber urina para o rejuvenescimento), explicando sobre o seu uso.

Praticantes como o publicitário norte-riograndense João Maria Lucas (43) garantem os resultados. Ele conta que iniciou a prática quando soube de um amigo que tomava remédios de tarjas preta e azul e não se curava da sua enfermidade, até iniciar-se na urinoterapia. “Ele me emprestou um livro sobre o assunto. Eu li em uma noite e no outro dia, já com a primeira urinada, comecei a praticar. Nunca mais deixei, porque me provou ser eficaz”. João Lucas, como prefere ser chamado, disse que sentia dores no peito que dificultavam a sua respiração e que imediatamente sentiu o alívio. “Eu fiquei meio desconfiado e só tomei dois dedinhos. No primeiro gole a dor sumiu”, revela.

O publicitário pratica a terapia desde 1998, mas a sua família ainda não é adepta. João relata que por vezes ele e a esposa têm várias aftas devido ao estresse do trabalho. Ele não passa mais de um dia com elas. A esposa custa a se curar. A filha também já foi medicada com “o líquido precioso”, como alguns chamam.

Valdemir Santiago (52), Conselheiro Estadual de Saúde, também adepto, conta que já lia sobre o assunto e que passou a tomar urina quando João Lucas lhe recomendou como tratamento para sua gripe.

Os dois contam inclusive casos de cura de câncer em estado terminal, e de cirurgiados que têm performance melhor que antes da operação. Agora Valdemir pretende convencer o governo de implantar a urinoterapia como uma alternativa que pode baixar o custo de tratamentos que exigem medicamentos muito caros.

A explicação para a recusa dos médicos em receitar urina é a forte influência da indústria farmacêutica, que quer vender remédios. João Lucas conta que quando foi doar sangue a entrevistadora, surpresa com a sua aparência jovem, lhe perguntou se tomava algum complemento alimentar. “Quando falei que era urina, ela me contou que vários médicos tomavam também”. “Só que o tabu ainda é muito grande e torna difícil a divulgação”, completou Valdemir.

Mas não é bem assim. A nefrologista Rogéria Noga contesta: “Não há nada na composição da urina que justifique essa prática. Pelo contrário. A uréia e a amônia, quando ingeridos em excesso, são extremamente tóxicas”. Ela explica que uma alimentação saudável pode repor todas as vitaminas e minerais necessários. “Até porque senão a hemodiálise não seria necessária”. O urologista Rômulo Farias diz que não há nada na literatura médica especializada a respeito do assunto. “É um tratamento sem fundamentação científica”.

Ao final da entrevista Valdemir sugeriu: “quer que eu tome um copo de urina para a foto?”. Foram ao sanitário, encheram seus copos e posaram para o fotógrafo.

Tratamento sem contra-indicações

Os estudiosos e adeptos garantem que não existem contra-indicações para a urinoterapia. No entanto, deve-se evitar o uso de medicamentos halopáticos e é necessário manter uma dieta saudável, com menos ingestão de alimentos cozidos e enlatados e mais frutas, verduras e alimentos crus. Caso contrário, a urina se “contamina” e o odor fica mais forte, devido ao aumento da sua concentração.

Composta por 96% de água em seu total, o fluido tem pequenas quantidades de sais minerais, vitaminas diversas, hormônios, aminoácidos e muitos outros compostos orgânicos e inorgânicos.

O maior questionamento por parte dos descrédulos é: se o nosso corpo está expelindo o líquido residual da filtragem do sangue, porque ingerí-lo de volta? Os apoiadores se defendem com alguns argumentos. Primeiro dizem que “são os químicos que intoxicam o nosso corpo”. Também alegam que o que filtra o sangue de impurezas é o fígado. Os rins apenas absorvem os nutrientes que estão sobrando no sangue e jogam fora com a água. Por último, dão o exemplo do veneno da cobra, que é utilizado para fazer o seu próprio antídoto.

Mas então, se as substâncias estão sobrando no organismo, porque tomá-las de volta? Valdemir dá outro exemplo. “É como o caldo de cana. Quando passamos a cana pela moenda a primeira vez, temos suco. Mas se pegarmos o bagaço, dobrar e passar de novo, teremos ainda mais”. Os adeptos da urinologia acreditam fortemente nos benefícios da reabsorção de substâncias úteis ao organismo. Diz-se até que a urina das crianças é mais forte e pura, mas o ideal é que cada uma tome a sua própria.

A posologia é diversa, assim como o modo de usar. Para dores de ouvido e congestionamento nasal coloca-se um pouco da urina na cavidade afetada, aguarda-se alguns segundos e retira-se. Para doenças cutâneas e ressecamento da pele, aplica-se urina sobre ela. Para inflamações nos olhos, deve-se lavar a área com a substância. Para curar e prevenir doenças diversas de órgãos quaisquer deve-se ingerir porções diárias do medicamento. E não existe um limite máximo. Toma-se quanto quiser.

Valdemir garante que o líquido “desce mais redondo que cerveja”. Mas quem não gostar do sabor tem algumas opções: misturar com leite, sucos, frutas ou outros alimentos. Sobre o odor, bem, ninguém acha o cheiro de queijo gorgonzola muito agradável, mas ele é muito apreciado na culinária mesmo assim.

O elixir serve também para o rejuvenescimento e tratamento cosmético. João Lucas revela que, comparado a seu amigos, tem uma aparência bem mais jovem, a pele fica mais limpa e lisa.

As melhoras são a curto prazo e os efeitos, garantem os tomadores de urina, só sentirá quem experimentar. E segundo eles, “quem se inicia na terapia não pára nunca mais”.

Nenhum comentário:

Image Hosted by ImageShack.us